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	<title>bLex &#187; Meta 2</title>
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	<description>Blog Jurídico</description>
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		<title>Processo e Efetividade!</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 19:58:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ney Bastos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Análise e Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Meta 2]]></category>
		<category><![CDATA[Política Judiciária]]></category>
		<category><![CDATA[Processo Civil]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>No post intitulado &#8220;As sentenças Nulas da Meta 2&#8221; critiquei a maneira atabalhoada que muitos processos estavam sendo julgados, para que os magistrados conseguissem cumprir os prazos estipulados. </p> <p>Destaquei que o escopo era sem dúvida nobre, mas a caminho para alcançá-lo, a meu ver, foi mal traçado, o que acabou por se demonstrar na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">No post intitulado &#8220;<a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL2luZGV4LnBocC8yMDEwL2F0dWFsaWRhZGVzLzEwNjc=">As sentenças Nulas da Meta 2</a>&#8221; critiquei a maneira atabalhoada que muitos processos estavam sendo julgados, para que os magistrados conseguissem cumprir os prazos estipulados.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Destaquei que o escopo era sem dúvida nobre, mas a caminho para alcançá-lo, a meu ver, foi mal traçado, o que acabou por se demonstrar na prática.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Em face do post fui interpelado por algumas pessoas, que afirmaram que eu estava me apegando à forma, pois a rigidez das regras processuais e o excessivo número de incidentes possíveis são os principais responsáveis pela morosidade do judiciário.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Ao enfrentar tais ponderações chego à conclusão que ou me expressei muito mal ou fui mal compreendido, pois<span id="more-1119"></span> não sou de forma alguma contra a busca da celeridade processual, mas sou contra a tal busca de maneira irrazoável e desmedida.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Concordo que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, mas tal premissa não pode ser interpretada de maneira excessiva, sob pena de que se cometa o mesmo equívoco daqueles que veem na rigidez das formas o melhor caminho.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Como em todos os ramos, o ponderado e o razoável há de ser o melhor caminho, pois a busca há de ser pela efetividade e não apenas pela celeridade. Comungo do entendimento da doutrina moderna no sentido de que a busca da efetividade há de ser verdadeiro mantra de todo e qualquer julgador.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">A efetividade da tutela jurisdicional pressupõe a celeridade, mas não a celeridade irresponsável, desligada de conteúdo. O que defendi e defendo é que a tutela jurisdicional não basta ser rápida, mas sim adjetivada de maneira mais completa, sendo rápida, adequada e, portanto, eficaz.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Não defendo a forma que atrapalha a prestação jurisdicional, tampouco posso defender, sob pena de cabal incoerência, a celeridade que padece do mesmo mal.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">A sentença que citei no mencionado post é exemplo claro de meu pensamento, pois a meu ver uma decisão daquela natureza pode ser rápida como for, mas jamais poderá ser chamada de efetiva. Um princípio processual não precisa tornar outro sucumbente para ser aplicado, ao revés, eles se completam e se entrelaçam.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Impossível tratar de tal tema sem recordar a lição do professor Kazuo Watanabe que tratando o assunto (de forma bem mais eloquente), que singelamente defendo, cunhou a expressão &#8220;acesso à ordem jurídica justa&#8221;.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Tal premissa a meu ver se erradia por toda a interpretação do sistema processual pátrio, sendo certo que se vivencia hoje verdadeira e louvável onda constitucionalista do processo.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Princípio processual constitucional ou direito fundamental processual algum pode ser interpetrado ao arrepio de tal idéia, sendo certo que o princípio do direito à ação ou do devido processo legal não pode ser interpretado sob o enfoque meramente formal, onde o simples respeito às regras na prestação da jurisdição os materializaria. A interpretação moderna há de ser que o direito de ação pressupor que a jurisdição será prestada de maneira efetiva, meu direito de acesso não é apenas de ação, mas de ação para provocar a prestação jurisdicional de uma ordem jurídica justa.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Não pode ser uma garantia meramente formal, posto que seria totalmente ineficaz ao padrão constitucional, mas sim de uma efetiva garantia das posições de vantagem. Não diverso ocorre com os demais princípios.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Reforço, a simples celeridade que eventualmente pode até haver sido alcançada pela Meta 2, jamais pode ser confundida com o que aqui é apresentado.</span></p>
<p>==================================</p>
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		<title>As sentenças nulas da Meta 2</title>
		<link>http://blex.com.br/index.php/2010/atualidades/1067</link>
		<comments>http://blex.com.br/index.php/2010/atualidades/1067#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 22 Jan 2010 19:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ney Bastos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades e Política]]></category>
		<category><![CDATA[Meta 2]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Retorno ao bLex para realizar a triste constatação de tal temor, em face da qualidade(ou melhor, falta dela) dos julgamentos &#8220;a rodo&#8221; que a Meta 2 está gerando. </p> <p style="text-align: justify;">Tenho me deparado com algumas decisões absurdas que, ao meu ver, só podem ser causadas pela obrigação desumana(o Daniel tem um post [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Retorno ao bLex para realizar a triste constatação de tal temor, em face da qualidade(ou melhor, falta dela) dos julgamentos &#8220;a rodo&#8221; que a Meta 2 está gerando.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Tenho me deparado com algumas decisões absurdas que, ao meu ver, só podem ser causadas pela obrigação desumana(o Daniel tem um <em>post </em>que faz interessante análise estatística da questão) do julgador realizar um sem número de julgamentos em exíguo prazo. Não pode ser desconsiderada a participação do certo desinteresse com que alguns magistrados exercem a função que lhes cabe.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Dentre os julgados que se enquadram nesta triste constatação, o abaixo citado é certamente um dos mais teratológicos, senão vejamos:<strong><br />
</strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><strong><em>&#8220;Sentença<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><strong><em>Autos n°:<span id="more-1067"></span> xxxxxxxxxxxxx<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><strong><em>Ação: Cobrança/Ordinário<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><strong><em>Requerente: xxxxxxxxxxxxx<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><strong><em>Requerido: xxxxxxxxxxxxx<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><strong><em>META 02<br />
</em></strong></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Vistos etc.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em><strong>xxxxxxxxxxxxx.</strong>, por seu advogado, propôs ação de cobrança em face de <strong>xxxxxxxxxxxxx</strong>, pelos fatos e fundamentos expostos com a inicial.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Instada a manifestar-se, a parte Requerida deixou transcorrer in albis o prazo da contestação.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>É o breve relatório.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Decido.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Possível aferir que o ato omissivo do Requerido é hipótese que se subsume ao previsto no artigo 319 do CPC. Assim, tomo por verdadeiros os fatos afirmados pela parte Requerente.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Por todo o exposto, com fincas do CPC 269 I, julgo totalmente improcedente o pedido formulado na inicial, condenando a parte Requerente ao pagamento de custas e honorários advocatícios no montante de 10% sobre o valor da causa.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Oposto recurso de embargos de declaração, com efeito modificativo, intime-se a parte Embargada para se manifestar no prazo legal.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Oposto recurso de apelação, será recebida no duplo efeito (CPC 520), e determino seja intimado a parte Apelada para responder no prazo de lei. Após, proceda-se a remessa ao E. Tribunal de Justiça do Amazonas.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Transitada em julgado, arquivem-se os presentes autos com as cautelas devidas.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>P.R.I.C.<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify; margin-left: 72pt;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"><em>Manaus, 15 de outubro de 2009.&#8221;<br />
</em></span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Ahn? Pois é, também foi essa minha reação e há de ser a de qualquer operador do direito ou mesmo de qualquer estudante que já haja cumprido a disciplina Processo civil I de sua grade acadêmica. Releva ressaltar que &#8216;isso&#8221; é uma sentença de uma ação que tramita na Justiça Comum.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">A teratologia da sentença é tamanha que prescindiria maiores digressões, contudo, como um dos objetivos do bLex é a discussão técnica do direito, serão, posteriormente destacados seus vícios mais nítidos.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Já foi discutido, em <em>posts</em> anteriores, o risco de que a busca atabalhoada da celeridade processual negligenciasse outros caros objetivos da prestação jurisdicional.  É certo que se a tutela jurisdicional tardia não é justiça, mas injustiça, outra adjetivação não merece aquela que embora rápida é prestada de maneira míope.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Quando o jurisdicionado provoca o judiciário, buscando a resolução de seu litígio, almeja, e tem o direito de cobrar, que tal resolução se efetive, não apenas de forma célere, mas também de forma adequada. Buscando: um processo legal devido; o reconhecimento do direito material a quem realmente lhe faça jus; verdade real etc.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Trata-se de verdadeira obrigação estatal, até como contraprestação ao monopólio da jurisdição. Ao impedir que o cidadão resolva seus litígios através da própria força, submetendo-se ao que o estado entende adequado, há de se ofertar aos litigantes uma resolução que efetivamente seja capaz de pacificá-los.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">O mínimo que os cidadãos têm o direito de exigir é que seus litígios verdadeiramente sejam analisados pelos julgadores, através do confronto de fatos e de argumentos jurídicos. Não se olvidando que é importante que esta tarefa seja cumprida da maneira mais rápida possível.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Não é nenhuma novidade que o judiciário não tem conseguido equacionar estes dois objetivos de maneira satisfatória, sendo em tese esta a justificativa para a Meta 2, criada pelo CNJ.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">A referida Meta, em que pese a grandeza de seu objetivos, <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL2luZGV4LnBocC8yMDA5L2F0dWFsaWRhZGVzLzM3Mg==">sempre gerou preocupações nos membros deste <em>blog </em>(conforme já externado em <em>posts</em> anteriores)</a>, no sentido de que  na maneira em que foi concebida poderia até mitigar um dos fatores da equação, mas dificilmente os dois.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Pois bem, direciono-me agora a sentença citada.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Inicialmente, de se atestar que a sentença é absolutamente nula, pela mais pura e total falta de fundamentação, afrontando diretamente os artigos 458, II do CPC e, sobretudo, o artigo 93, IX da CF/88. O conteúdo da sentença é quão simplório que nem mesmo o exercício do direito recursal é possível (com exceção aos embargos declaratórios que teriam justamente o objetivo integra a decisão a parte essencial que lhe falta).<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Impossível a interposição de um recurso de apelação, visto que não se sabe quais as razões que levaram o julgador a proferir tal sentença.  O julgamento foi de improcedência total, mas sabe-se lá por que.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Não há ainda como se olvidar a cabal contradição interna do decisório, ao aplicar a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo requerente, em face da aplicação da revelia e, sem qualquer razão lógica, julgar o feito totalmente improcedente.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">De certo, que não há(embora alguns juízes ignorem tal fato) a costumeira relação entre revelia e procedência total da demanda. a presunção de veracidade se aplica tão somente quanto aos fatos, sendo certo que isso não significa que a pretensão o se transforma automaticamente em totalmente procedente. A conseqüência jurídica indicada pelo autor aos fatos tidos como verdadeiros pode ser descabida.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Mesmo em casos de revelia, continua o magistrado obrigado: a analisar o preenchimento por parte do autor, das condições da ação e dos pressupostos processuais; a aplicar direito da maneira adequada aos fatos articulados; bem como averiguar a veracidade das alegações(não se pode desconsiderar a possibilidade de que um documento juntado pelo próprio autor faça prova contrária ao que alega).<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Conforme entendimento jurisprudencial majoritário, a presunção contida na norma do artigo 319 advinda da decretação da revelia não é absoluta.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Ocorre que no caso citado, como a sentença não indica sequer sugestivamente o que poderia ter causado a improcedência, em que pese a revelia do requerido, a contradição é patente. O ordinário na hipótese de se considere verdadeiro o que o autor alega é que o julgado seja ao menos parcialmente procedente, sendo certo que o extraordinário exigiria alguma justificativa.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">O fato é que a justificava não veio, mesmo porque não há no julgado justificativa quanto a nada.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Pois bem, garanto-lhes que meu cliente preferia esperar mais um pouco pela sentença, mas ver verdadeiramente prolatada uma em seu processo.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;">Obs.: Na semana que vem, retorno a análise  da proposta de Anteprojeto do CPC.</span></p>
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		<title>Solução Para a Meta 2</title>
		<link>http://blex.com.br/index.php/2009/atualidades/736</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 02:51:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe do bLex</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades e Política]]></category>
		<category><![CDATA[Meta 2]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Existem algumas notícias que ficamos receosos de publicar, com medo de dar ideias&#8230; </p> <p>&#8230; esta é uma delas. </p> <p>O nosso amigo Ermiro Neto, do ConteciosoNet, noticia que uma comarca da Bahia conseguiu um meio engenhoso para resolver o problema da Meta 2. Ao que aparenta, a comarca simplesmente redistribuiu todos os processos anteriores [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Existem algumas notícias que ficamos receosos de publicar, com medo de dar ideias&#8230;<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">&#8230; esta é uma delas.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">O nosso amigo Ermiro Neto, do <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2NvbnRlbmNpb3NvbmV0LmJsb2dzcG90LmNvbQ==">ConteciosoNet</a>, noticia que uma comarca da Bahia conseguiu um meio engenhoso para resolver o problema da Meta 2. Ao que aparenta, a comarca<span id="more-736"></span> simplesmente redistribuiu todos os processos anteriores a 2005, com datas de distribuição atual, sem julgá-los. Os autos antigos aparecem como arquivados. Os &#8220;novos&#8221; aparentam ser recém-distribuídos.  Agora, quando for mandar o relatório ao CNJ, o sistema vai informar que não existe nenhum processo anterior a 2005 sem julgamento. Meta 2 cumprida.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Simples, não?<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt"><br />
</span></p>
 <img src="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=736" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
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		<title>Fórum: Semana da Conciliação da Meta 2</title>
		<link>http://blex.com.br/index.php/2009/atualidades/473</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 11:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Equipe do bLex</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades e Política]]></category>
		<category><![CDATA[Meta 2]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Hoje inicia a Semana Nacional de Conciliação da Meta 2. Isso significa que muitos advogados que atuam no cível estarão abarrotados de trabalho, com as pautas lotadas, correndo de uma audiência para a outra. É uma semana de atividades muito intensas, e exatamente por conta disso, é uma semana onde aparecem muitas reclamações, sugestões, &#8220;causos&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Hoje inicia a Semana Nacional de Conciliação da Meta 2. Isso significa que muitos advogados que atuam no cível estarão abarrotados de trabalho, com as pautas lotadas, correndo de uma audiência para a outra. É uma semana de atividades muito intensas, e exatamente por conta disso, é uma semana onde aparecem muitas reclamações, sugestões, &#8220;causos&#8221; e histórias interessantes. Exatamente por isso, ao mesmo tempo em que o bLex deseja a todos os advogados uma proveitosa semana de trabalho, criamos este espaço para ser preenchido por nossos leitores.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Esta é a primeira experiência do bLex com o conceito de fórum temático. Reservamos esse espaço para que todos os leitores interessados possam discutir tudo que é relacionado à Semana de Conciliação da Meta 2. Usem os comentários para expressar opiniões, críticas e sugestões, dar dicas, narrar sucessos e fracassos, contar &#8220;causos&#8221;, e de qualquer modo debater os acontecimentos desta semana.<span id="more-473"></span><br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">O sucesso deste Fórum depende somente da participação ativa do público e de leitores como você. Compartilhe!<br />
</span></p>
 <img src="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=473" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
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		<title>Manifestamente Protelatório</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 15:14:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fabio Lindoso e Lima</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades e Política]]></category>
		<category><![CDATA[Meta 2]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify">Nesta contribuição inaugural ao bLex, gostaria de prestar as devidas homenagens ao conselho editorial, o qual me concedeu a honraria de participar deste espaço, ainda que de forma esporádica. Sinto-me bastante honrado e grato pela oportunidade de fazer uma das coisas que mais gosto. </p> <p style="text-align: justify">Feitas as considerações iniciais, vamos ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Nesta contribuição inaugural ao bLex, gostaria de prestar as devidas homenagens ao conselho editorial, o qual me concedeu a honraria de participar deste espaço, ainda que de forma esporádica. Sinto-me bastante honrado e grato pela oportunidade de fazer uma das coisas que mais gosto.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Feitas as considerações iniciais, vamos ao que interessa:<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Acredito que, à esta altura do campeonato, todos estejam familiarizados com o Plano Nacional de Nivelamento da Justiça Brasileira. <span id="more-439"></span>Dentre as dez metas estabelecidas a que mais chama atenção, sem sombra de dúvidas, é a famigerada Meta 2, <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL2luZGV4LnBocC8yMDA5L2F0dWFsaWRhZGVzLzM3Mg==">já discutida antes neste bLex</a>, a qual institui que todos os processos distribuídos até dezembro de 2005 devem ser julgados até dezembro do corrente ano.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">A intenção do CNJ e dos Tribunais regionais na confecção de um plano de nivelamento foi das mais nobres. Todavia, o viés prático da Meta 2 é, de certa forma, duvidoso.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Trago ao conhecimento dos senhores uma experiência que tive hoje, quando praticava uma das atividades inerentes à advocacia: a de gentilmente pedir aos serventuários e demais funcionários dos cartórios, que cumpram com suas atribuições em tempo razoável. O mais engraçado é que grande parte destes funcionários age como se estivesse lhe fazendo um enorme favor e esquece que, para tanto, está sendo pago. E bem pago.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">É claro que existem raras exceções: lugares aonde a pro atividade, presteza e a boa-vontade dos funcionários chega a surpreender. São verdadeiros oásis em que, tanto o advogado militante quanto o jurisdicionado podem descansar.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Antes da Meta 2, era até factível que se conseguisse &#8220;agilizar&#8221; (termo muito usado em balcão de cartório) um despacho de mero expediente em coisa de 3 dias. Isto partindo da premissa de que o funcionário terá boa vontade, o que é não acontece sempre.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Em razão da Meta 2, no entanto, foi dada aos funcionários dos cartórios a orientação de <strong>dar prioridade</strong> para os processos distribuídos até dezembro de 2005. Isto deu margem a um comportamento não muito salutar por parte dos funcionários dos cartórios do nosso Brasil varonil. Confira, querido leitor, este episódio em que envidei tentativa frustrada de obter andamentos em dois feitos; um da Meta 2 e outro pós-2005.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Ao pedir o despacho do primeiro feito, a funcionária do cartório me respondeu o seguinte: &#8220;Esse processo está na meta 2&#8230;Então, deve estar saindo aí, nos próximos dias&#8221;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">&#8220;Ok&#8230;você tem uma estimativa de quando, mais ou menos?&#8221;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">&#8220;O juiz está despachando aos poucos, né&#8230;não tem previsão&#8221;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">&#8220;Sem problemas. E esse outro aqui?&#8221; <em>(referindo-me ao feito pós-2005)</em><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">&#8220;A gente tá dando prioridade para os processos da meta 2, né? Então, esse aí vai ter que dar uma segurada&#8221;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">&#8220;Tá certo. Obrigado pela atenção&#8221;<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Como se nota no episódio narrado, deve-se atentar para um grave risco na questão Meta 2: o desvirtuamento de seu sentido. Não se pode permitir que a Meta 2 se converta em pretexto para a nefasta prática da procrastinação. Experiências como a que tive me fizeram chegar à triste conclusão de que a Meta 2 é uma circunstância bastante propícia para tanto.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">O que é uma ironia, visto que a citada meta existe, em grande parte, por conta da mentalidade do servidor público brasileiro. Venhamos e convenhamos, <strong>o serviço público no Brasil é manifestamente protelatório</strong> e acredito que isso tenha contribuído de maneira determinante para que o volume de processos se tornasse absurdo. Por óbvio, deve-se levar em conta que existe uma série de outros fatores, tais como a falta de aparelhamento nas varas, deficiência de pessoal e mais tantos que seria necessário um post dedicado exclusivamente a eles.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Diante destas constatações, é assaz pertinente a pergunta: quanto do acúmulo de pendências se deve à deficiência material e de capital humano do Poder Judiciário e quanto se deve à característica do funcionário público brasileiro de procrastinar?<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Não tenho elementos para determinar e acredito que seja impossível fazê-lo. Penso, no entanto, que mais importante e mais eficaz que um plano de nivelamento seria implementar algum tipo de programa fundamentado na meritocracia, que estimule uma mudança de mentalidade no servidor público.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Esta verdadeira política de combate direto ao hábito de protelar tudo quanto for possível até quando for possível (prática usual no funcionalismo público) é necessária para evitar que o Poder Judiciário entre num círculo vicioso, isto partindo da premissa de que já não nos encontramos em um, o que não é consenso.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Caso esta mudança paradigmática não ocorra logo, em um futuro não muito distante, a Meta 2 se tornará a franquia de um filme que ninguém gosta de ver. Porque este filme tem um desfecho trágico: a justiça morre no final.<br />
</span></p>
<p style="text-align: justify"><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt"><em>Nota do bLex: O Autor é estagiário do Jacob &amp; Nogueira Advogados.<br />
</em></span></p>
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		<title>O lado obscuro da Meta 2</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Sep 2009 21:28:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Fábio Jacob Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Atualidades e Política]]></category>
		<category><![CDATA[Meta 2]]></category>
		<category><![CDATA[Política Judiciária]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O Conselho Nacional de Justiça estabeleceu, em conjunto com os tribunais brasileiros, 10 metas que o Judiciário deve atingir em 2009. Ninguém ouve falar de nove dessas metas, mas todo mundo que tem algum contato com a Justiça já conhece a já célebre Meta 2: &#8220;Identificar os processos judiciais mais antigos e adotar medidas concretas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">O Conselho Nacional de Justiça estabeleceu, em conjunto com os tribunais brasileiros, 10 metas que o Judiciário deve atingir em 2009. Ninguém ouve falar de nove dessas metas, mas todo mundo que tem algum contato com a Justiça já conhece a já célebre <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL3d3dy5jbmouanVzLmJyL2luZGV4LnBocD9vcHRpb249Y29tX2NvbnRlbnQmYW1wO3ZpZXc9YXJ0aWNsZSZhbXA7aWQ9NzkwOSZhbXA7SXRlbWlkPTk2Mw==">Meta 2</a>: &#8220;Identificar os processos judiciais mais antigos e adotar medidas concretas para o julgamento de todos os distribuídos até 31.12.2005 (em 1º, 2º grau ou tribunais superiores)&#8221;.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Segundo o  CNJ  &#8220;<em>O objetivo é assegurar o direito constitucional à &#8220;razoável duração do processo judicial&#8221;, o fortalecimento da democracia, além de eliminar os estoques de processos responsáveis pelas altas taxas de congestionamento&#8221;.</em><br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Em tese, é uma idéia fantástica. Na prática, está me apavorando.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">À toda evidência, o TJ/AM acordou para a Meta 2 em agosto deste ano. Fez um levantamento e constatou que existem no Amazonas 100 mil processos que se enquadrariam na Meta 2. De acordo com o Tribunal, cerca de 30% desse número é lixo virtual provocado por má-alimentação do (todo-poderoso) sistema.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Assim, a missão do Tribunal é simples: <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL3d3dy50amFtLmp1cy5ici9pbmRleC5waHA/b3B0aW9uPWNvbV9jb250ZW50JmFtcDt2aWV3PWFydGljbGUmYW1wO2lkPTUxMDptZXRhLTItcW5vcy1wb2RlbW9zcS1kaXotam9hby1zaW1vZXMmYW1wO2NhdGlkPTEyOmN0LW5vdGljaWFzLTA5">Julgar 70.000 processos em 5 meses</a>.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">A minha primeira preocupação é matemática.</span><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt"><span id="more-372"></span></span><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt"> Presumindo que tais processos estejam com perfeita distribuição estatística entre os quase 140 magistrados de nosso Estado, para que se atenda à Meta 2 é necessário que cada julgador decida definitivamente seis processos por dia, todos os dias, de segunda a sexta, de hoje até o final do ano.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Seis sentenças por dia é um trabalho hercúleo. Uma sentença não é um simples despachozinho. O Juiz precisa ler e estudar os autos, enfrentar os argumentos das partes, analisar a matéria probatória para então decidir o mérito do feito. Mesmo que juiz só tivesse que cuidar da Meta 2 já haveria um enorme problema quanto à qualidade da prestação jurisdicional que ele é capaz de prestar diante o irreal volume de trabalho que o aguarda. Pior ainda se lembrarmos que não é dado ao juiz deixar de despachar os processos que não são da Meta 2. As audiências, liminares, decisões interlocutórias dos processos pós-2005 também merecem a atenção do magistrado.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">O temor que tenho é que, com a aproximação do prazo final para que o TJ/AM preste contas da Meta 2 ao CNJ, os processos passem a ser julgados de afogadilho, e sejam extintos de qualquer jeito apenas para que possam ser computados na estatística. Julgar de qualquer jeito não é fazer Justiça, e o jurisdicionado não quer apenas que seu processo seja julgado. Quer sim uma decisão célere, mas também quer que a jurisdição prestada seja essencialmente justa.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Quanto à minha segunda preocupação, espero realmente que seja infundada. Quando li a matéria do TJ/AM sobre a Meta 2 (linkada acima) um trecho me saltou aos olhos:<br />
</span></p>
<p style="margin-left: 72pt"><span style="font-family:Times New Roman"><em>João Simões apresentou o cartaz que está sendo usado na campanha publicitária da Meta 2 e os selos processuais que serão utilizados para identificar os processos que serão alvo do programa. Ele explicou também como deverá funcionar o que ele convencionou chamar de &#8220;Mutirão de Sentenças Meta 2&#8243;. Os processos em fase de distribuição e julgamento serão encaminhados para uma sala no fórum Henoch Reis onde ficarão à disposição dos juízes que quiserem trabalhar depois do expediente . &#8220;Todos eles poderão trabalhar nesse mutirão, independente de pertencerem à área criminal, cível ou ao juizado especial&#8221;, complementou o desembargador.<span style="font-size:12pt"><br />
</span></em></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Minha esperança é que o texto acima seja um erro crasso da assessoria de imprensa do Tribunal. Qualquer juiz pode ir para uma salinha, pegar um processo do monte, e o sentenciar ?!?!?<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Mesmo sem discutir o Princípio da Identidade Física do Juiz (que exige, excetuadas certas hipóteses, que o juiz sentenciante seja aquele que participou da audiência de instrução), o procedimento descrito sofre de defeito de índole Constitucional: viola frontalmente o princípio do Juiz Natural. A Constituição me assegura, enquanto parte, o direito de ser julgado pelo magistrado escolhido de acordo com regras pré-estabelecidas. Tais regras foram respeitadas quando ocorrida a distribuição do feito. Permitir que outro magistrado venha a proferir a sentença desses autos é uma subversão inaceitável de uma proteção pétrea de nosso sistema republicano. As possíveis ramificações dessa regra da salinha são preocupantes, pois a nulidade absoluta atingiria a todos as sentenças proferidas dessa forma. Repito: espero que seja apenas um equivoco da equipe de comunicação.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Entendo mais do que ninguém a necessidade de celeridade no julgamento de processos, mas acho que solução correta não deve ser paliativa e tampouco com jogos de cena do tipo &#8220;julgaremos 70.000 processos em cinco meses&#8221;. O princípio da reserva do possível também tem aplicação no âmbito da Política Judiciária. Mais digno seria se o Judiciário i) Reconhecesse que não tem capacidade de atender a tal Meta 2; ii) criasse um programa realista, e permanente para, num cronograma factível e sem desrespeitar a Constituição Federal, diminuir o estoque de processos antigos e iii) tomasse medidas permanentes para evitar que no futuro os processos parados alcancem números tão alarmantes.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Adianta aos magistrados trabalhar feito loucos para que em 1º de Janeiro de 2010 tudo volte ao ritmo de sempre? Por que não realizar verdadeiras alterações estruturais, para sanear a fonte de todo o problema? Por exemplo: como é que uma Justiça que tem entre 100.000 e 70.000 processos com mais de 4 anos de idade se dá ao luxo de funcionar apenas até as 14:00? Não adianta correr da sala para a cozinha para julgar feitos a rodo, e permitir que em quatro anos haja novo estoque de dezenas de milhares de feitos atrasados.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Rui Barbosa disse uma vez que &#8220;<em>Justiça atrasada não é justiça, senão injustiça qualificada e manifesta. Porque a dilação ilegal nas mãos do julgador contraria o direito das partes, e, assim, as lesa no patrimônio, honra e liberdade.</em>&#8220;. O que não disse ilustre advogado – decerto por não ser um problema da sua era – é que a recíproca também é verdadeira: justiça atabalhoada também não é Justiça. </span></p>
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