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	<title>bLex &#187; Interesse Local</title>
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	<description>Blog Jurídico</description>
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		<title>Serviço Baré III: O Lixo Que Querem Nos Vender Para Comer</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Apr 2010 13:52:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Fábio Jacob Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regra dos 20%]]></category>
		<category><![CDATA[Interesse Local]]></category>
		<category><![CDATA[Serviço Baré]]></category>
		<category><![CDATA[Tema Livre]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">ATUALIZADO COM CONTRIBUIÇÃO DO LEITOR RODRIGO DIAS. </p> <p style="text-align: justify;">Nota: Este post – que não tem abordagem jurídica e faz parte da quota de temas livres do autor – faz parte de uma série que comenta os problemas crônicos de prestação de serviços em Manaus. Para visitar os demais posts da série, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span style="color: #800000;"><span style="text-decoration: underline;"><strong>ATUALIZADO COM CONTRIBUIÇÃO DO LEITOR RODRIGO DIAS.</strong></span><br />
</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nota: Este post – que não tem abordagem jurídica e faz parte da quota de temas livres do autor – faz parte de uma série que comenta os problemas crônicos de prestação de serviços em Manaus. <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL2luZGV4LnBocC90YWcvc2Vydmljby1iYXJl">Para visitar os demais posts da série, clique neste link</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Uma das músicas nacionais que mais me incomodou na adolescência foi O Resto do Mundo de Gabriel, o Pensador. A letra é uma narrativa de primeira pessoa do cotidiano de um indigente, cuja maior aspiração na vida é morar num barraco de favela. Em determinado trecho – que, devo dizer, deixou marcas profundas na minha impressionável consciência adolescente – a música fala da experiência de sobreviver do lixo alheio:</p>
<p><em>Eu gostaria de ter um pingo de orgulho<br />
Mas isso é impossível pra quem come o entulho<br />
Misturado com os ratos e com as baratas<br />
E com o papel higiênico usado<br />
Nas latas de lixo<br />
Eu vivo como um bicho ou pior que isso<span id="more-1277"></span><br />
</em></p>
<p><em>Eu sou o resto<br />
O resto do mundo<br />
Eu sou mendigo, um indigente, um indigesto, um vagabundo<br />
Eu sou&#8230; Eu num sou ninguém<br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;">Das cenas provocadas pela miséria humana, uma das que mais me parte o coração é ver pessoas procurando por alimento no lixo.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, ver um cidadão tão necessitado, tão dobrado pela fome que se vê forçado a catar comida dentre os detritos dos mais abastados é o suficiente para tirar o sossego de qualquer um que não tenha um coração de pedra. É a memória dessas cenas que me leva a contribuir para amenizar as desigualdades sociais herdadas por esses pobres cidadãos. E é assombração dessa visão que me leva a dobrar os joelhos e agradecer ao Senhor por ser um daqueles que – sem qualquer mérito próprio – foi abençoado de nascer numa família que me deu condições, desde o berço, de viver dignamente.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://blex.com.br/wp-content/uploads/2010/04/042610_1350_ServioBarII1.gif" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Aparentemente, o supermercado Carrefour da Paraíba está praticando uma ação social pouco difundida: quer que todos os seus consumidores sintam na pele como é ter que catar verduras no lixo. Mas tem um diferencial: para ter o privilégio de escolher comida no lixo, querem que os consumidores paguem preços exorbitantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Explico.</p>
<p style="text-align: justify;">Normalmente faço compras supermercados de outras redes. Mas, no final de semana retrasado, fui fazer compras com a minha digníssima e, por conveniência (estávamos indo ao Manauara) decidimos experimentar o Carrefour da Paraíba.</p>
<p style="text-align: justify;">Lá, descobri esse relevante projeto social empreendido pela multinacional francesa.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ser sincero, levou um tempo para sacar o que estava acontecendo. Começou quando vi o sofrível estado das cebolas oferecidas ao consumidor. Até então, pensava que era apenas um vacilo do controle de qualidade.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: center;"><img src="http://blex.com.br/wp-content/uploads/2010/04/042610_1350_ServioBarII2.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">No entanto, comecei a desconfiar de algo quando fui comprar os tomates. Além de podres, e com fungos à mostra, os tomates – em pleno supermercado – estavam infestados de pequenos insetos voadores. Achei muita coincidência: cebolas podres, tomates podres&#8230;.</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://blex.com.br/wp-content/uploads/2010/04/042610_1350_ServioBarII3.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">&#8230; mas só pude ter certeza mesmo depois de ver o estado da couve-flor, que ao invés da costumeira cor branca, estava infestada de fungos, amassada, aguanda, recheada de  misteriosos pontos marrons e pretos&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><img src="http://blex.com.br/wp-content/uploads/2010/04/042610_1350_ServioBarII4.png" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">&#8230; ai só então tive certeza do que estava acontecendo. Um produto podre nas prateleiras é atribuível a erro do controle de qualidade. Dois produtos podres, podem até ser coincidência. Três ou mais produtos podres, só pode ser campanha institucional do estabelecimento. Como não consigo acreditar que uma rede multinacional como o Carrefour tenha a cara de pau de simplesmente tentar empurrar injustificadamente múltiplas verduras podres para as cestas seus consumidores, a única explicação lógica que resta é essa tentativa de conscientização.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, quem quiser saber quão degradante é a experiência de escolher sua comida no lixo, mas não quer se aporrinhar &#8220;<em>com os ratos e com as baratas/ E com o papel higiênico usado<br />
/ Nas latas de lixo</em>&#8220;, basta se dirigir ao Carrefour da Paraíba. Ah, e também tem que estar disposto a pagar preço de verduras normais.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">*****</p>
<p style="text-align: justify;">Atualizaçao: O Leitor Rodrigo Dias entrou em contato com bLex para dizer que a campanha está ocorrendo, pelo jeito, em várias lojas do Carrefour em Manaus. Prova disso é o estado dos maracujás encontrados pelo leitor  noutro estabelecimento da rede:</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDEwLzA0L21hcmEuanBn"><a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL3dwLWNvbnRlbnQvdXBsb2Fkcy8yMDEwLzA0L21hcmEuanBn"><img class="aligncenter size-full wp-image-1280" title="mara" src="http://blex.com.br/wp-content/uploads/2010/04/mara.jpg" alt="" width="640" height="480" /></a></a></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
 <img src="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?view=1&post_id=1277" width="1" height="1" style="display: none;" />]]></content:encoded>
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		<title>FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA:  “Mais claro do  que água de pote”</title>
		<link>http://blex.com.br/index.php/2010/eleitoral/1270</link>
		<comments>http://blex.com.br/index.php/2010/eleitoral/1270#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 16:55:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Rodrigues Balieiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleitoral]]></category>
		<category><![CDATA[Interesse Local]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[TRE/AM]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nota: O autor, que foi convidado a contribuir com o bLex, é advogado, ex-deputado estadual e juiz de direito aposentado.</p> <p style="text-align: justify;">Já presenciei e advoguei várias causas polêmicas no Tribunal Regional Eleitoral. Ultimamente afastei-me um pouco, seja pela nostalgia das sábias decisões, seja pelo clima de intranqüilidade que reinava entre os dirigentes, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><em>Nota: O autor, que foi convidado a contribuir com o bLex, é advogado, ex-deputado estadual e juiz de direito aposentado.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Já presenciei e advoguei várias causas polêmicas no Tribunal Regional Eleitoral. Ultimamente afastei-me um pouco,  seja pela nostalgia das sábias decisões, seja pelo clima de intranqüilidade que reinava entre os dirigentes, que usavam um Tribunal do Povo como tatame para uma luta  de questões pessoais.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem querer apontar culpados ou inocentes, até porque se a Força-Tarefa do Ministério Público, os Delessários de Polícia, o &#8220;Todo Poderoso&#8221;  Secretário de Inteligência do Amazonas, Thomaz Correa  e Doutor Mauro Antony ainda não emendaram a Constituição Federal,  pela dialética jurídica,  ainda está vigente em nosso sistema jurídico-constitucional o princípio da &#8220;presunção de inocência&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando, porém, ao fato que motivou o título desse texto, o caso mais polêmico e rumoroso que enfrentei<span id="more-1270"></span> e presenciei foi o do ex-Deputado Donmarques X Arthur Bisneto.</p>
<p style="text-align: justify;">Só para recordar,  após ter sido eleito, proclamado eleito e convocado para a sessão solene de Diplomação como Deputado Estadual,  na hora em que esta ia acontecer, DONMARQUES foi surpreendido por uma decisão liminar do ex-Juiz &#8220;JURISTA&#8221; Francisco Maciel, do TRE,  aquele mesmo que recentemente Presidiu o Tribunal e sessões de julgamento, com o mandato vencido,  quando é sabido que o exercício da Presidência de Tribunal Regional Eleitoral é privativo de desembargador.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal liminar foi deferida, como pedido acessório de &#8220;embargos de declaração&#8221; com efeitos infringentes, opostos pelo Deputado Arthur Bisneto.</p>
<p style="text-align: justify;">Sucede que a decisão suspensiva foi deferida  contra uma &#8220;decisão negativa&#8221; a um pedido de impugnação proposto por determinada Coligação, contra o Registro da    Coligação de  Donmarques.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale relembrar que o relator do caso era o digno e culto advogado  Elson Andrade,  que, no entanto, devido às pressões e ameaças que recebeu de uma certa autoridade, deu-se por suspeito e, num ato de protesto, no dia da diplomação renunciou ao seu mandato como membro da Corte.</p>
<p style="text-align: justify;">O processo foi redistribuído para o Dr. Elci Simões, que também se averbou   suspeito, por &#8220;foro íntimo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Nova redistribuição, dessa vez para o Francisco Maciel.</p>
<p style="text-align: justify;">Este, após ter cumprido sua missão institucional (despachar com presteza um pedido de efeito suspensivo a uma decisão  não modificativa de nenhuma direito), ao que me consta, desentendeu-se com o Donmarques, dando-se também por suspeito, o mesmo acontecendo com o Juiz Thales Silvestre Junior, que houvera sido chamado para compor o TRE, em decorrência do &#8220;renunciado&#8221;, Dr. Elson Rodrigues.</p>
<p style="text-align: justify;">Foram os autos, então, à relatoria da Dra. Nélia Caminha.</p>
<p style="text-align: justify;">Presidia a Corte o ex-Desembargador Jovaldo dos Santos Aguiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Após o início específico  do julgamento dos &#8220;embargos de declaração&#8221; ,  o Desembargador Jovaldo suspendeu a sessão  para atender a uma ligação,  chamado que foi pelo seu assessor, retirando-se para a sala da Presidência (? é verdade, é verdade, é verdade&#8230;) Quando retornou, veio com a seguinte pérola: &#8220;olha, quero dizer que se esse julgamento terminar empatado eu vou me dar por suspeito&#8221;.  Quem estava  assistindo    e mesmo os membros da Corte presentes, ou ficaram surpresos ou constrangidos.  Em decorrência da interveniência do Ministério Público Eleitoral, ele então se deu por suspeito,  &#8220;por motivo de uma ligação&#8221;, ou melhor, por motivo de &#8220;foro íntimo superveniente&#8221;  que teve ocorrência na   sessão de julgamento. Se alguém souber quem estava na outra ponta da ligação que  me diga, por favor, pois eu não sei e não consigo imaginar.</p>
<p style="text-align: justify;">Bem, naquele tempo o Regimento Interno do TRE  previa que  este podia deliberar com a presença de 4 membros, contado  o Presidente.</p>
<p style="text-align: justify;">Devido às várias suspeições já mencionadas, o julgamento foi adiado e convocada uma Juíza Substituta da Corte, para completar o quorum de julgamento.</p>
<p style="text-align: justify;">Como só havia 4 membros presentes, incluindo o desembargador(a) que presidia a sessão, não poderia haver empate. O Resultado seria 3 X 0 ou 2 x 1 para qualquer dos lados.</p>
<p style="text-align: justify;">Os &#8220;embargos de declaração&#8221;  eram muito semelhantes aos embargos que modificaram a &#8220;decisão&#8221; que cassou o Bessa de Manacapuru, que depois foi novamente cassado mediante novos &#8220;embargos&#8221;: rediscutia o que já fora julgado pela Corte.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia do julgamento, momentos antes da sessão, uma Juíza Substituta foi convocada, como eu disse, para dar o quorum mínimo. Após o voto da relatora, dando provimento aos &#8220;embargos de declaração&#8221; e o do Juiz Federal, negando provimento, coube à novel Juíza da Corte, convocada para a sessão, a responsabilidade pelo desempate. Como a mesma não conhecia nada do  processo e para simplesmente não acompanhar a relatora, sem nenhuma discussão, ela fundamentou seu voto com extremo bom gosto, pois nós caboclos  e indiozinhos do Solimões, como diz o &#8220;Belão&#8221;, sabemos do seu sabor:    &#8220;voto com a relatora, pois o caso para mim está mais claro que água de pote&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Na decisão que motivou os embargos, o placar foi 4 x 2, a favor de Donmarques.  No julgamento dos embargos foi 2 x 1,  contra. Ou seja, 2  votos valeram mais que 4. E assim Donmarques perdeu seu mandato  de deputado e nós, seus advogados,  principalmente eu, considero-me culpado,  pois apesar de ter debruçado-me  sobre doutrina e jurisprudência do TSE, do STJ e do STF,   dias e noites seguidos,     argumentado princípios vários de direito, logo eu, que até aos doze anos só tinha visto uma geladeira na vida, a querosene,  no Bar do Cileno, na praça de São Paulo de Olivença, fui me esquecer do sabor e da pureza da &#8220;água de pote&#8221;.  Fiquei estatelado, boquiaberto, nocauteado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não tive mais argumentos.</p>
<p style="text-align: justify;">
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		<title>Serviço Baré</title>
		<link>http://blex.com.br/index.php/2009/etc/989</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Dec 2009 22:27:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Daniel Fábio Jacob Nogueira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Regra dos 20%]]></category>
		<category><![CDATA[Interesse Local]]></category>
		<category><![CDATA[Serviço Baré]]></category>
		<category><![CDATA[Tema Livre]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Manaus é uma das maiores capitais do Brasil. Por conta da generosidade na natureza tem vocação natural para o turismo (pelo menos como porta de entrada para o ecoturismo). Nesse cenário, seria natural que houvesse uma bem estruturada indústria de serviços destinada a atender esse público. </p> <p>Infelizmente, as coisas na prática não são bem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Manaus é uma das maiores capitais do Brasil. Por conta da generosidade na natureza tem vocação natural para o turismo (pelo menos como porta de entrada para o ecoturismo). Nesse cenário, seria natural que houvesse uma bem estruturada indústria de serviços destinada a atender esse público.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Infelizmente, as coisas na prática não são bem assim. Por alguma razão que não consigo entender, Manaus não tem cultura de serviço. Não me considero um cidadão particularmente propenso a reclamar, mas é raro o fim de semana em que não tenha algo a criticar sobre a atitude de um garçom, de um atendente de cinema ou de um vendedor de loja.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Por exemplo: comer na nossa cidade é um exercício de paciência. Pedir <em>delivery </em>é loteria, pois você nunca sabe se aquela malfadada previsão de entrega &#8220;entre 30 a 45 minutos&#8221; é brincadeirinha ou não.   Eu já tive que<span id="more-989"></span> cancelar pedidos depois de esperar mais de duas horas e meia para receber uma simples refeição (e depois de ouvir da a atendente : &#8220;Senhor, você precisa entender que hoje temos muitos pedidos para entregar&#8221;).<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Comer fora, de igual modo, é consistentemente inconsistente. Nunca se sabe se a comida e o serviço vão valer a pena ou não.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Devo dizer que uma má experiência de quando em quando é inevitável. É claro que acidentes podem acontecer. É possível ter uma péssima noite mesmo num ótimo estabelecimento. Afinal de contas, o serviço é prestado por pessoas, e pessoas são falíveis.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">O que diferencia os estabelecimentos é a forma de lidar com esses acontecimentos imprevisíveis.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Por exemplo, logo que o Bernardino&#8217;s virou Alentejo, fomos visitar a casa. O jantar foi uma desgraça. As entradas estavam oleosas demais. As torradas de alho salgadíssimas. A porção de couve portuguesa sem graça. E o bacalhau intragável. Chamamos o garçom, que constatando o problema com a comida, substituiu o prato. Para nossa surpresa, o prato substituto estava pior que o original. Ambos estavam com um amargor insuportável. O gerente (sem ser chamado) veio à mesa para pedir desculpas e garantiu que se tratava da uma anomalia. Deixou o jantar por conta da casa, e pediu apenas que retornássemos noutra data para que pudéssemos nos certificar que qualidade do estabelecimento não tinha decaído com a mudança do proprietário.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Resultado: voltamos outras vezes, e não nos arrependemos. Aliás, há umas duas semanas estivemos no Alentejo, e a refeição foi absolutamente impecável, digna de louros. A atitude do gerente mostra que o restaurante se preocupa com seus consumidores, e por conta disso, não é por causa de uma esporádica experiência ruim que a casa perderá seus clientes.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Ressalto que não é necessário ser um restaurante de luxo para ser um restaurante preocupado com bom serviço. Às vezes almoço num restaurante de comida simples, caseira e gostosa chamado D&#8217;licianas (fica naquela rua ao lado do Angelo Ramazzoti) e o tratamento dispensado pelos proprietários – que pessoalmente dirigem a cozinha, atuam como garçons e comandam o balcão – sempre foi extraordinário.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">No entanto, na maioria das vezes, a atitude dos estabelecimentos de Manaus em relação ao serviço que dispensam à clientela pode ser resumida na seguinte frase: &#8220;Gostou, ótimo. Não gostou? Paciência!&#8221;.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Foi exatamente por isso que passei um desses dias ao comer no Waku Sese, um restaurante que serve comida regional amazônica. Eu e Ana queríamos um lanche rápido, e pedimos um tacacá, um tucupi com jambú e uma unha de caranguejo. Depois de esperar por mais de meia hora por um prato que poderia ser servido em dez minutinhos, descobrimos que o tucupi estava completamente sem sabor. Parecia água levemente salgada e levemente azeda. Tanto o tucupi com jambú quanto o tacacá ficaram absolutamente intocados (exceto pela prova inicial de cada um deles).<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Como estávamos com pressa pedi a conta, e rachamos a unha de caranguejo. A conta – de uns trinta e poucos reais – chegou, e fui pagá-la diretamente à gerente. Disse a ela que não tínhamos comido dois dos três os pratos pedidos, pois o tucupi estava com gosto de água suja.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">A gerente, sem qualquer cerimônia, disse : &#8220;Ah é? Tá bom.&#8221; Recolheu o dinheiro da conta das minhas mãos, me deu as costas, e sem mesmo desejar boa noite ou &#8220;volte sempre&#8221;, continuou com seus afazeres.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Essa indiferença com a satisfação do cliente é que me revolta. Pior do que pagar por uma refeição que não vale comer, é ser tratado como um mero incômodo sem importância ao reclamar de algo. Nem precisava deixar de cobrar pelos pratos (que, aliás, para mim é a maior marca de um estabelecimento que realmente se preocupa com seus clientes). Bastava dar real atenção à reclamação, e mostrar que o restaurante se interessa com o bem estar daqueles que pagam os salários dos funcionários.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Como é que Manaus pretende sediar uma copa do Mundo com esse serviço de baixíssima qualidade com a qual estamos acostumados? Sim, estamos acostumados a serviço ruim. Caso contrário, a lei do mercado funcionaria, e os estabelecimentos que não se preocupassem com o bem estar e a qualidade da experiência de seus clientes estariam falidos.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Noutros mercados, onde a disputa por clientes é acirrada, a satisfação dos consumidores é levado a sério. Nos Estados Unidos, se a pizza não chegar em 30 minutos é de graça. O proprietário da pizzaria não faz isso por caridade. É que ele sabe que existem mais 30 pizzarias de onde se pode pedir entrega. Se, por algum imprevisto, o entregador atrasa, faz mais sentido perder o valor de uma pizza do que perder um cliente que pede uma pizza por mês.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Aqui, talvez diante da falta de opções de entretenimento e gastronomia, o empresário do ramo pode se dar ao luxo de esnobar clientela.  Mas essa é uma mentalidade que precisa mudar. Afinal de contas, Manaus precisa se preparar para ser um polo turístico.<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Hoje, a expressão &#8220;serviço baré&#8221; é usada em tom pejorativo. Vou usar uma abordagem Iheringiana para fazer a minha pequena parcela na tentativa de melhorar esse cenário. Como tenho uma enorme quota de posts na regra dos 20% (quem não sabe o que é isso deve ler o <a href="http://blex.com.br/wp-content/plugins/wordpress-feed-statistics/feed-statistics.php?url=aHR0cDovL2JsZXguY29tLmJyL2luZGV4LnBocC9ndWlhLWRlLWNhdGVnb3JpYXMtYmxleA==">Guia de Categorias do bLex</a>), vou usar alguns deles para expor aqui episódios de desrespeito doloso à satisfação dos clientes. Faço isso como a minha contribuição para melhorar os serviços de nossa cidade. E conclamo você, leitor, a fazer a sua parte também (afinal, só somos maltratados pois permitimos que isso aconteça).<br />
</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman; font-size:12pt">Tenho esperança. Se cada um de nós fizer a sua parte, quem sabe em algumas décadas, quando não existir mais Zona Franca e Manaus precisar do turismo para realmente sobreviver, talvez a expressão &#8220;serviço baré&#8221; passe a descrever de um altíssimo padrão de qualidade no atendimento ao cliente. Para que isso aconteça, só temos que desacostumar com o &#8220;serviço baré&#8221; que recebemos hoje. </span></p>
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