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A Copa do Mundo é Nossa

A proximidade da realização da Copa no Brasil gera expectativas no torcedor e cidadão. Expectativas nada boas, diga-se. Tudo está atrasado. O técnico não encontra o time, nossa maior estrela até outro dia era menor impúbere. Nosso camisa dez sofre apagões dignos da preocupação do Ministro de Minas e Energia. Tem craque na CBF, no Congresso e até nos botecos do baixo gávea. Dentro das quatro linhas, cadê?

As obras também não caminham nada bem. A construção da Arena da Amazônia (eterno Vivaldão) até que anda dentro do cronograma. Ou ao menos é o que dão conta os relatórios oficiais. O que preocupa são as medidas de mobilidade urbana, logística e hotelaria. Não se vê lá tanta mobilização neste aspecto, que é infinitamente mais relevante para a cidade que a simples construção de uma arena multiuso. Explico.

Estamos perdendo uma ótima oportunidade de captar investimentos – tanto da iniciativa privada quanto das outras esferas governamentais – para implementar obras que irão trazer um benefício para a posteridade. E nem se diga que isto tudo está nos planejamento do município e do estado e que será feito, e que isso, e que aquilo e que não sei o que mais lá.

Já está mais do que na hora. Estamos perdendo tempo, e tempo é dinheiro. Não se constrói um viaduto da noite para o dia, nem monotrilho, nem metrô de superfície. E o caótico trânsito, o que dizer dele? Não se vai daqui acolá sem perder uma horinha preciosa do dia. Em condições normais, já não se trafega, que dirá em circunstâncias extraordinárias. Quer algo mais extraordinário que uma Copa do Mundo? Não existe!

Cidades como Barcelona, durante os jogos olímpicos de 1992, usaram o investimento para resolver grande parte dos problemas de infraestrutura da cidade. Funcionou. A cidade melhorou e virou um dos pontos turísticos mais visitados da Europa.

Há ainda um agravante: o Brasil está na vitrine do mundo. Primeiro a Copa e dois anos depois os Jogos Olímpicos. Não há momento mais oportuno para dar adeus de vez ao famoso jeitinho brasileiro e ao complexo de vira-lata. A brasilidade há que existir no sentido positivo. Queremos mostrar para o mundo o brasileiro criativo, não o malandro. O alegre e não o abestalhado. Queremos mostrar que o brasileiro sabe fazer de improviso, sem perder o jogo de cintura e nem o fio da meada. Não devemos nada a ninguém. Temos plenas condições de quebrar esse paradigma.

Corremos um sério risco de sofrer um maracanazzo administrativo, o que seria desastroso para a imagem do país diante do resto do mundo. Vamos mostrar a cara para o mundo, quer queria, quer não. Precisamos aproveitar esta exposição para enterrar de uma vez por todas esse complexo de vira-lata. Dizem que só superamos a derrota para os uruguaios 8 anos depois, mas só dentro de campo. A oportunidade de superar isto se apresenta.

Ganhar ou perder na bola é algo que foge às previsões dos mais afiados calculistas. Taí o Tricolor carioca, que já rebaixou os matemáticos, para provar. Ganhar ou perder fora das quatro linhas é diferente. Só depende de nós.

1 comment to A Copa do Mundo é Nossa

  • Este cenário parece estar presente em todas as sedes da Copa 2014 no Brasil. Em Porto Alegre também constatamos que estamos perdendo uma excelente oportunidade de alavancar investimentos para melhorar a estrutura da capital gáucha. Tudo o que depende do poder público está em atraso e com orçamentos além dos previamente aprovados.

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