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Serviço Baré II: Desventuras em Série (no novo Playarte de Manaus)

Nota: Este post – que não tem abordagem jurídica e faz parte da quota de temas livres do autor – é o segundo de uma série que comenta os problemas crônicos de prestação de serviços em Manaus. Para visitar o primeiro post, clique neste link.

Das duas uma: Ou eu sou inacreditavelmente azarado ou os problemas de prestação de serviços de nossa cidade são realmente endêmicos.

Basta narrar o que aconteceu nos últimos dois dias. Eu e minha mulher gostamos muito de cinema e por isso ficamos felizes quando descobrimos que o Playarte inaugurou umas salas no Manauara. Domingo à tarde checamos a programação na internet. A Ana queria assistir ao filme Contatos de 4º Grau, e a grade disponibilizava o filme às 18:00 o que era perfeito para os nossos planos:


Fomos felizes e serelepes ao Manauara, enfrentamos a fila e na hora de comprar o ingresso fomos informados que a sala 8 estava com defeito, e portanto, o filme em questão não estava passando. Ok, um probleminha, aceitável. Reorganizamos nossos planos e fomos ao Millennium, assistir ao mesmo filme no Cinemais, que passaria uma hora mais tarde.

(Abro aqui parênteses: O filme Contatos do 4º Grau é um filme razoável de ficção, mas se vende como se fosse baseado em fatos reais. Isso é um tremendo engodo – e talvez até publicidade enganosa. Assista só se quiser se divertir com um filme de ficção, filmado de modo criativo. Não perca seu tempo se tiver indo por conta dos anúncios de que a estória tem alguma relação com a realidade.)

Ontem, segunda à noite, estávamos pensando em assistir Invictus (afinal, é um filme com rugby e eu sou jogador e fã declarado do esporte) mas os horários não estavam encaixando em nossos planos. Resolvemos então assistir Avatar (de novo), mas dessa vez na versão 3D/Legendado. . Mais uma vez fomos à nova Playarte do Manauara. Compramos os ingressos, entramos na sala – que tem o bônus de ter uma tela grande, mas as cadeiras não são reclináveis – e começamos a ver o filme.

Com uns vinte minutos de filme, o som desapareceu. Passamos uns cinco minutos vendo cenas de Pandora sem nenhum áudio, até que alguém resolveu intervir. Pararam o filme, funcionários do cinema foram à sala para avisar que logo reiniciaria.

Mais uns cinco minutos depois, o filme reiniciou, 3D, áudio e tudo.

No entanto…

Mais uns dez minutos de filme, e lá se foi o som embora de novo. A projeção, mais uma vez, suspensa. Algumas pessoas, revoltadas, começam a se retirar. São barradas pelos lanterinhas, que avisam que o gerente estava se dirigindo à sala para dar falar com os espectadores.

Uns três minutos depois o gerente aparece para nos presentear com duas pérolas.

A primeira, um óbvio ululante. Disse: “É o seguinte, a sala está com problema e o filme não vai mais passar”.

No ensejo, prova da alta qualificação do funcionário: “Quem quiser o dinheiro de volta tem que ir lá agora, pois a bilheteria vai já fechar.”

?!?!?!?

Perdi minha noite, não assisti o filme, e estava sendo informado que tinha que correr senão não me fariam o favor de ao menos devolver o dinheiro do ingresso do filme que não conseguiram projetar?

Parece piada.

A Playarte não estendeu nenhum pedido de desculpas e muito menos reconhecimento pelo inconveniente causado.

Mais legal foi o encerramento da noite. Na foto abaixo, a fila daqueles que optaram aceitar a generosidade da Playarte para receber seu dinheiro de volta:


O mínimo esperado seria a devolução do dinheiro do ingresso acompanhado de um pedido de desculpas. Se eu fosse o gerente, além das desculpas e do ressarcimento, teria dado um ingresso de cortesia a todos os clientes prejudicados.

Minha recomendação à Playarte: Feche as portas, resolva todos os problemas técnicos, treine seu pessoal e reinaugure. Caso contrário, não aparecerei por lá de novo tão cedo.

20 comments to Serviço Baré II: Desventuras em Série (no novo Playarte de Manaus)

  • Jefferson Coronel

    Caro Daniel…
    os cinemas de Manaus, em regra, usam e abusam da falta de respeito com os clientes. Começam filmes antes da hora marcada, abrem salas com ar condicionado pifado e, prá completar, fazem isso que você bem descreve. Como brilhante advogado, você sabe que esse cmportamente é passivo de ações na justiça. E, sem ser advogado, é o que recomendo às pessoas. Não só com os cinemas, mas com todos que nos agridem, direta ou indiretamente. Por exemplo, a Pizza Hut, quando você liga pedindo entrega, tem a ousadia, o descaramento de perguntar se você quer “recibo”. Ora, que “recibo”? Qualquer empress sabe que é obrigatório o cupom fiscal. A Pizza Hut não tem esse cupom. E se tem não entrega. Isso é crime, crime de sonegação, senão não havaria motivo nenhum para não mandar junto com a pizza o tal cupom fiscal. Pois decidi, como você em relação ao cinema, que não peço mais nada na Pizza Hut enquanto eles não estiverem 100% legalizados com o fisco estadual. É o mínimo que posso fazer, além dessa denúncia pública num dos blog mais competentes e bem informados que conheço.
    Abraços

  • Eddington Rocha

    Por isso que eu não vou a nenhum tipo de inauguração, ainda mais por estas terras.

    Motivos? Dentre muitos, Ai vão alguns.

    1) Sempre vai estar superlotado, pois basta aparecer uma novidade que todos vão.
    2) Quase sempre a inauguração é feita na pressa, apenas para cumprir contrato e não levar multa ou aproveitar períodos específicos (Em sua inauguração e em muitas semanas após, o Manauara Shopping foi o maior exemplo de verdadeiro desrespeito ao consumidor)

    É importante percebermos que a 1a razão é a direta causadora da 2a razão. É o pensamento basilar da “oferta e da procura”. Se existem pessoas fazendo longas filas para darem seu precioso dinheirinho a alguém, este alguém está investido de um grande poder que lhe dá duas opções altamente vantajosas (para si): Aumentar o preço ou diminuir a qualidade.

    Voilà

  • Jonathan

    O comerciante manauara tem que aprender, logo, que dar uma cortesia nestes casos acaba sendo bem mais lucrativo do que a simples devolução da quantia paga. O consumidor se sente prestigiado e acaba dando uma segunda chance ao estabelecimento.

  • Essas coisas são assustadoras!! Gostaria de saber se posso utilizar seu texto em uma série que publico em meu blog, sobre o atendimento em Manaus. Tem coisas que parecem só acontecer aqui.
    É como vc falou, ou somos azarados, ou o problema é realmente endêmico. Se vc me autorizar, ficarei lisonjeada em publicar.
    Abraços.

  • Daniel Fábio Jacob Nogueira

    Carolina,

    Claro que pode (desde que, obvio, faça citação da autoria e inclua um link para o bLex no texto).

  • Dante Graça

    Lembro que isso aconteceu comigo na semana de inauguração do Cinemark. Só que, na época, o gerente foi à sala com uma cortesia por pessoa, evitando constrangimentos ainda maiores.As salas do Manauara demoraram quase um ano para abrir. O mínimo que se podia esperar é que elas tivessem boas condições de uso.

  • Caroline

    Essa não é a primeira vez, q isso acontece.Já ouvi reclamação dos meus amigos sobre isso.
    Durante os meus 20 anos de vida, só fui ao cinema 2 vezes
    Já q este problema não foi resolvido,não passo perto de um cinema tão cedo.

  • Claro que a fonte e o link seriam mencionados!!! Obrigada!!

  • Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by maesouateu: RT @marcionoronha: #momentoconsumidor – RT @DanielNogueira – Pensando em ir ao novo Playarte do Manauara Shopping? Pense bem : http://bit.ly/auxPBz...

  • Mário Nogueira

    Daniel,

    Como bem sabes, passei as festsas de fim-de-ano em Manaus com a família e reclamei algumas (muitas) vezes dos serviços (inclusive públicos), o que irritou alguns (me esculhambaram), dizendo que “pq mora fora, agora quer reclamar de tudo!”.

    Na realidade as pessoas se acostumaram, sofrem calada e se começa a reclamar, vc é um estressado ou um caboco metido a besta, no final o errado era eu.

    Manaus não precisa somente de quem saiba servir, mas de quem saiba ser servido.

    Exigir, reclamar, boicotar, faz parte!

  • Mário Nogueira

    E por falar em cinema…

    Na 1a semana de janeiro fui ao Cinemais do Millenium com filho, irmãs e sobrinhos, oito ao total, assistir Alvim e os Esquilos 2, qdo terminou foi um bafafá deu policia e tudo, dentro do banheiro feminino cheio de mães e filhas, eis que descobrem um casal fazendo SEXO na área destinada a deficiente (é mais espaçoso).

    Como um homem entra dentro do toalete feminino e ninguém vê? Se fosse um pedófilo ou um tarado??

    O segurança do shopping disse que já tiveram várias ocorrencias, mas eles não podem ficar dentro do Cinemais, pois são do shopping e lá é uma loja como qq outra, que já tiveram vários problemas e como ninguém formaliza a queixa, fica por isso mesmo, ele mesmo incentivou a darem queixa, o que ocorreu.

    O assunto foi parar no 1o DP na praça 14, onde o jovem casal chegou de camburão!!

  • Danilo Germano

    E olha que você nem mencionou o cheiro de esgoto presente naquele local, Daniel.

    Abraços.

  • Fabio

    Concordo,

    Até porque a falta de reclamação legitima uma prestação de serviços pífia

  • Fana

    mas isso só ocorre porque somos “pacíficos” e “temos a venta furada ao contrário”, juro.

    porque se o povo resolvesse levantar e ir ao procon, delegacia do consumidor ou até ao exija seus direitos, essa palhaçada não aconteceria mais…

    é sempre assim, o cliente nunca tem direito, aliás, o único direito é o de ser maltratado e ficar calado!

    acho que mandar um email aos responsáveis pela “marca” playarte poderia resolver…

    pelo menos foi assim que consegui resolver o problema do meu carro, já que aqui em manaus a “representante” da marca nada resolvia, no RJ de repente solucionaram meu problema e me pediram desculpas!

  • Morgana

    Depois de 15 anos morando em Manaus, eu voltei a morar no Rio Grande do Sul, meus pais ainda moram em Manaus e eu chegarei aí semana que vem pra concluir meu curso na UFAM, a única coisa em que eu penso é: “lá vou eu pra mais 5 meses de péssimos atendimentos…” É isso que a cidade de Manaus representa pra mim… infelizmente!…

  • Rafael

    Daniel, fechar as portas porque? Casa lotada, ingressos caros, mau atendimento e, mesmo assim, a casa continua lotada!

    Veja a foto. Clientes pacientes ( como sempre) calmos e passivos. Imprima a foto e volte a este cinema. Há grande chance de encontrar alguns deles.

    Jonathan, empresário aprende a ganhar dinheiro. Se dá para ganhar dinheiro tratando mau não há porque mudar nada.

    Mário Nogueira, você disse tudo. É a passividade do povo que permite tudo isto.

    Mas é bom que a gente se lembre: Quem atende e quem é atendido está no mesmo grupo. Ou seja, há uma cultura em Manaus de falta de respeito ao outro. Vejam o trânsito.

    Lembro da inauguração do Cinemark. Também recebi um ingresso de cortesia porque o ar condinionado pifou no final do filme. Sinceramente, nem percebi. .
    Mas o tempo passou e eles já perceberam até onde podem distender em Manaus. Agora, a sala 3D está sem ar-condicionado há muito tempo. Vocês, que estão em Manaus, me respondam: a sala está sempre lotada?

  • Carlos André

    Somos Pacíficos e achamos que não podemos mudar nada. Tudo isso ocorre em Manaus em todos os seguimentos. Vejamos, vc compra um carro, e este apresentar problemas dentro do prazo da garantia, sempre querem dificultar o atendimento, por vezes, acabam arrumando uma forma de cobrar algo. Passei por isso nos últimos meses, incrivelmente com carro, moto e inclusive, acreditem, um smartphone comprado na NET, que ao apresentar problema após 3 dias de uso, queriam culpar a forma de uso. Se tivesse mantido me calado, com certeza os prejuízos seriam arcados somente por mim ( o infeliz consumidor de produtos e serviços de Mao). Abços

  • Jorge Eduardo Dantas

    Ótima prestação de serviço, Daniel.

    Fui no Playarte assistir Avatar 3D e não tive problema nenhum, mas acho muito bacana quando este tipo de protesto repercute e vem com evidências – e não entra naquela categoria das lendas urbanas, do tipo “ouvir falar”, do meu “amigo disse”.

    Infelizmente, em Manaus este tipo de serviço só melhora após as queixas e reclamações.

    Como disse um amigo meu, a gente até tenta ser primeiro mundo vez ou outra, mas tem gente que não deixa ou não quer deixar. Adianta ter um 3D que não funciona?

    Abraços,

  • Maurício

    Além do cheiro de esgoto mencionado pelo Danilo Germano (o que já se tornou uma marca registrada do Manauara – é só observar em vários pontos daquele shopping, especialmente em dias de chuva) e do desconforto das poltronas que não reclinam, percebe-se o desleixo no acabamento e limpeza das salas. As poltronas ainda têm as marcas do pó da obra; o revestimento do chão nada mais é do que cimento pintado (nem ao menos carpete) e as saídas de emergência não têm sinalização luminosa que lhe permitam serem facilmente identificadas em caso de necessidade. A sugestão de fechar, arrumar tudo e só então voltar a atender é até mesmo um imperativo de sáude e segurança. Alô, fiscalização!

  • [...] do meu exemplo pessoal, quando escrevi no blog mantido pelo meu escritório um texto reclamando da qualidade do serviço do …, postei o link no twitter. A partir daí fui surpreendido com a quantidade significativa de [...]

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