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Brasil, Mostra Tua Cara!

Explorando um pouco mais o tema parcialmente abordado pelo Daniel, atrevo-me a enfiar o dedo na ferida em assunto que sempre tende a gerar discussões acaloradas, que é a política, não apenas sob a ótica eleitoral, mas também institucional.

 Em verdade, meu objetivo é de analisar a política não de maneira estanque ou apartada do todo, mas sim como peça da engrenagem do estado democrático de direito que o Brasil busca ser.

 A análise se efetiva em uma visão nacional, justamente para buscar apresentar a opinião de maneira mais independente possível, visto ser de sabença geral que o Jacob&Nogueira milita há certo tempo nos pleitos eleitorais locais, de forma que análise de questão de aplicação local alguma será aqui traçada.

 Confesso que o Brasil gera em mim sentimentos e prognósticos bipolares, pois alterno momentos de enorme descrença no país e, sobretudo nos brasileiros, com momentos de constatação de avanços e de alguma esperança.

 A nação hoje se encontra em situação oportuna para os questionamentos e debates em torno do atual estágio das instituições democráticas, e para um confronto do brasileiro com sua própria postura em função destas instituições.

 O momento pede especial reflexão, estamos em plena disputa eleitoral onde a análise retrospectiva, atual e prospectiva há de ser feita por todo aquele que exercita o direito de voto de maneira consciente.

 Não pensem que pretendo aqui apresentar meu voto, tampouco pedir voto a quem quer que seja, de maneira explicita ou velada, mas tão somente analisar de maneira crítica o pleito eleitoral como ápice do sistema democrático.

 A mim parece indiscutível que a tenra idade de nossa democracia gera distorções enormes, entre os belos escopos constitucionais de um estado democrático de direito e o que se vivencia na prática.

 O Estado – enquanto instituição – tem como única razão de ser – ao menos assim deveria ser – viabilizar em nosso belo país a materialização da dignidade da pessoa humana, de forma que todo o seu aparelhamento se dá com tal escopo.

 A prática é bem diversa e todos nós sabemos disso, o Estado brasileiro ainda se aparelha na busca de satisfazer interesses outros que não o constitucionalmente buscado, através do loteamento de cargos públicos, como moeda de trocas entre partidos que compõe a base aliada, trocas de favores etc.

 Aqueles que buscam ver pedido de voto em tudo, logo saltarão e dirão que estou a atacar o atual governo e de maneira velada pedindo voto a Serra, enganam-se!

 O atual governo foi pródigo nesta prática, constatada, comprovada e noticiada aos quatro cantos, sem que, contudo, nada mudasse de fato, visto que nem mesmo a oposição pôde fazer barulho – além daquele necessário para aparecer na mídia, pois se a investigação for verdadeiramente a fundo, tiros nos pés serão dados e os investigadores se tornarão investigados na próxima esquina.

 Os direitos autorais das trocas de favores, loteamentos de cargos e do mensalão não podem ser creditados na conta atual governo, ao menos não integralmente. Tratam-se de filhos com vários pais, todos muito importantes na formação de seu desvirtuado caráter.

 Aqueles que acompanharam os sucessivos escândalos haverão de recordar que todos eles partiram de um dos larápios, que acuado – momento em que o homem se torna mais imprevisível – resolveu falar o que nem os que o acuavam queriam que fosse falado. Ah, se pudéssemos voltar atrás, há de ter sido o pensamento mais comum no Congresso naqueles tempos.

 Depois deste episódio, todas as demais denúncias partiram da imprensa, não porque os demais deputados e senadores não conhecessem seu enredo, mas porque não queriam que o povo brasileiro o conhecesse.

 Infelizmente, é triste mais é verdade, com pequenas adaptações, variações dentro do mesmo tema e como diria uma antiga voz da revolta, hoje pop, são caminhos diferentes que levam ao mesmo fim!

 Como ainda estou no pólo da descrença não posso negar que pra mim é tudo muito claro, vencendo quem vencer, os cargos serão moedas de trocas, favores serão realizados, rabos presos e dívidas haverão de ser pagas institucionalmente, independentemente da retórica utilizada em época de campanha.

 Não me iludo nem com quem surge como a terceira via, através de um discurso cheio de clichês e pouco conteúdo. Não apoiar ninguém nesse segundo turno há de ter sido a opção por não haver recebido as propostas de cargos que pretendia ou porque estar com um projeto daqui a quatro anos um pouco maior, deixar de ser o loteado, para se tornar o loteador!

 Essas constatações indicam de maneira clara, nossas instituições são muito fracas. Infelizmente não para por aí, chega o pleito e…nada. Propostas, pouquíssimas.

O debate político traçado é apequenado em noções de importância tão somente eleitoreira. O debate é raso, os ataques são pessoais, as discussões são sobre passado ou conjecturas de futuro, de propostas muito pouco, mesmo porque poucas foram feitas por ambos.

Não quero saber quem é o santo ou quem é mais diabólico. Não estou preocupado com o que a igreja, seja católica ou evangélica, acham. Uma deveria se preocupar mais com a pedofilia e outra em explorar menos a desgraça do povo, mesmo porque, as convicções religiosas, defendidas no meio do debate do político, têm como único objetivo tangenciar a discussão do que realmente importa.

Quero saber é de propostas, quem vai melhorar o país? quem de fato pode tentar subverter esta ordem instituticional apodrecida que vivenciamos? Caros, infelizmente a pergunta é apenas retórica.

 Exemplifico a questão, os últimos dias do debate político deixou de lado questões macro realmente importantes, como investimento em infra-estrutura(verdadeiro gargalo do desenvolvimento econômico), saúde, saneamento básico, educação etc. para se concentrar em um pedaço de papel ou de fita adesiva atirada em um candidato e sei lá o quê atirada na outra.

Ora, tenha santa paciência, eu lá estou preocupado com isso, agora é pra votar em que se tem mais pena? aí eu me candidataria, pois sou feio, baixinho e sem dinheiro.

A violência e a sua posterior exploração são apenas mais um capítulo desta deplorável eleição.

Não posso deixar de confessar que, se oportunidade tivesse, poderia ter sido convencido a jogar algo em qualquer dos dois candidatos e já tenho meus argumentos de defesa.

Nele, joguei de revolta, por usar dinheiro público- no mínimo do fundo partidário – e tomar meu tempo para falar muito e pouco dizer. Fazer uso do espaço democrático que lhe é dado para atacar pessoalmente seus adversários. Em verdade sempre agiu assim, atacou ferozmente Ciro Gomes na eleição de 2002. Sempre faz uso da máxima de que o outro é pior que ele. A história da quebra do sigilo, exemplo de fogo amigo, mostra a prática do partido e do candidato – lobo em pele de cordeiro!

Joguei, porque sou de um Estado que sempre foi muito atacado por seu partido e por ele, enquanto governador de São Paulo.

Joguei ainda por ser tão ruim de voto que sequer consegue aproveitar as inúmeras chances que os escândalos lhe dão, continua perdendo, mesmo tendo tudo pra ganhar.

E, não se pode esquecer, joguei por medo, pensei que fosse uma assombração!

Nela, joguei por haver mentido para toda nação várias vezes; por favorecer a família Sarney; por ser pedante e grosseira; por haver surgido de lugar nenhum como vaca de presépio e por ter uma ficha corrida tão extensa quanto seu despreparo para lidar com críticas.

Mas, como disse sou bipolar e ainda creio que nem tudo está perdido, é possível a mudança a longo e quiçá médio prazo, pois algumas coisas já têm melhorado.

Hoje, os fatos e escândalos aqui citados tornam-se públicos, governadores e senadores são caçados.

Hoje, eu posso escrever as besteiras que ora escrevo sem que ninguém possa me impedir, o cinema acaba de apresentar um relato perfeito de nossa estrutura institucional, com o escárnio do estado em que o Estado se encontra, através do filme Tropa de Elite 2, sem que os poderosos, gostando ou não nada possam fazer.

Impossível não sair reflexivo do filme, impossível não enquadrar os personagens “fictícios’ em nossa realidade, impossível não reconhecer o real escopo do estado deixou de ser o povo(se é que algum dia foi).

Bandido e mocinho? Polícia e ladrão? Só nas brincadeiras dos tempos idos, hoje eles se misturam, se auxiliam e se completam em uma absurda relação simbiótica.

De certo que de nada adianta sabermos se nada fizermos, e os meios para tanto existem, mas precisamos deixar de sermos apáticos.

A geração atual, na qual me incluo, recebeu tudo de mão beijada, não brigou por nada, não apanhou e nem precisou fugir. Isso levou a duas conseqüências nefastas, primeiro nos acomodamos em nada fazer e segundo, entregamos tudo nas mãos daqueles que, por haverem participado do movimento democrático, cobram a fatura da maneira como bem entendem.

Os passos a serem dados iniciam-se nas eleições sem dúvida, mas se efetivam em várias outras vias.

Aqueles que são formadores de opinião devem fazer uso de tal poder, fomentar o senso crítico.

O Ministério Público não pode se afastar de seus reais objetivos, não em literalidade, mas sim em real escopo sociológico, para que o Estado precisa ser cobrado, controlado e investigado de maneira efetiva.

A Igreja e os movimentos sociais devem ter noção exata de seu papel, não apenas em seus discursos pontuais, mas sim em uma visão verdadeiramente global, começando inclusive a dar exemplos próprios de mudança e amadurecimento.

Em síntese, isso é um pouco do penso.

Àqueles que de alguma maneira se afeiçoaram ao discurso, incito-os a praticá-lo.

Àqueles que discordaram, estou mostrando minha cara e dando-a à tapa!

12 comments to Brasil, Mostra Tua Cara!

  • Agora é 45

    Sim! Concordo com a maioria dos fatos narrados.
    Na impossibilidade de votar Marina, agora voto SERRA 45!!!

  • THIRSO DEL CORSO

    Excelente texto! O melhor retrato do cenário político do país.
    Em compensação o primeiro comentário é um grande exemplo da campanha burra e desesperada que ocorre nesta eleição, que piorou muito no segundo turno. Será que realmente o cabo-eleitoral que fez este comentário acha que só por que ele colocou que votava na Marina mas como ela não está no segundo turno vota em determinado candidato, acredita que alguem que lê o blog vai votar nele? Mesmos os que tende a votar no candidato vão ficar mais crente nele por causa deste comentário? Tenho plena certeza que não, pelo menos não no universo de leitores do Blex, no lugar desta publicidade burra-desesperada acredito que uma boa proposta, com possibilidades reais de realização surtiriam mais efeito do que o mera exposição do numero do candidato.

  • Arbelox45

    Imaginem…
    90% da população do Brasil EDUCADO.
    Mas educado mesmo.

    ADEUS… DILMA,SERRA,LULA,TIRIRICA,ROMARIO…PEIXE!
    Imaginem.

  • Eduardo Bonates

    Meu Nobre,

    Após lhe congratular pela bela abordagem do tema, gostaria de lhe fazer uma pergunta! Afinal, o problema são os eleitos ou os eleitores ?

  • Filipe Bonates

    Toda democracia é burra! o povo brasileiro lutou por 22 anos contra a Ditadura Militar reivindicando uma série de direitos, contudo nesses 24 anos de regime democrático o povo se rendeu a velha e boa politica do pão e do circo.

    O melhor seria a exclusão do povo ou de parte da sociedade do direito ao voto, se não, vamos continuar com esse pifio desenvolvimento da nossa querida e amada Répública Federativa do Brasil.

  • ozeneide casanova

    Não adianta chorar leite derramado.. ou mostramos a cara e mudamos o rumo da história.. ou queremos ver quem paga essa conta.. alguém tem dúvida??

  • Agora é 45

    Legal essa democracia de vcs.
    Enviei uma resposta ao Sr Thirso e sequer foi postada.Não tinha ofensa nenhuma.
    o Voto divergente é saudável PARA A DISCUSSÃO, mas, assim não foi interpretado.
    So quero salientar que quem vota nulo ou branco como vcs insinuam, vota DILMA que segue avante, portanto podem comemorar na segunda feira, vcs votaram nela.
    Parabéns.

  • Aprendiz de cientista político

    .
    Existe um tipo de eleitor que estudou, seja por ajuda da família ou seja por esforço próprio.
    Pois bem, esse eleitor que sabe das coisas, quando chega nessa época de eleições deseja participar ouvindo e sendo ouvido.
    No fundo ele também “se acha” deseja crescer e também ser cortejado.
    Mas sim, esse mesmo eleitor sonha em ser candidato ou sonha um dia com uma parceria para que no futuro ele também possa expor suas ideias e talvez cursar esse arduo caminho.
    Vamos começar com as igrejas.
    Silas Câmara alardeia que estão em 62 municipios e “sua” igreja teria mais de 500 mil votantes.
    Tá, e cadê o resto sendo que ele só obteve cento e poucos mil votos? E a fundação ou ONG da compensa que o “casal”, ela vereadora ele médico que não se reelegeu pela segunda vez? E o médico que fez mais de 40 mil partos no amazonas e quando se candidata não passa dos 2 mil e poucos votos?
    Sem contar a fundação do (pai e filho) que elegeu apenas o filho para estadual.
    É amiguinhos, vida de candidato não é fácil!
    Quem descobre uma forma e a aplica corretamente se dá bem causando ASCO no restante da população que passa a lhe tratar com bulling. Vide o Tiririca.
    Enquanto isso os “aristocratas de notável sabença” ficam esperando que um candidato a presidente lhes faça uma visita, quem sabe aí poderiam “seguir juntos”. |Então tá.
    Pode ficar esperando e curtindo sua insignificância, dizendo que político é tudo igual e blablabla.
    Ora!
    Quando eu tomo partido por alguem para federal ou estadual não como cabo, mas como eleitor, pois bem, federais e estaduais não fedem nem tampouco cheiram, eu abordo os eleitores da seguinte forma: vcs já tem candidato?
    Geralmente dizem que não, uns votam por amizade , outros por alguma conexão familiar e eu lhes “ofereço” o meu canditato. Ai eles questionam: mas por que que devo votar nele? E eu respondo, porque se vc não tem candidato vc é um banana , portanto deveria ter, deveria conhecer ao menos alguem com ficha limpa para votar, em sendo assim, vote no meu e cale a sua boca!
    Por isso que não sirvo pra cabo eleitoral, por que será? Risos.
    Mas sim, os que votam em branco ou nulo achando que estão fazendo um “grande negócio”, votam Dilma indiretamente que dispara á frente.
    É, podem comemorar na segunda feira, vcs venceram!
    Boa Eleição!? Quem sabe?
    Ainda entendo Serra como menos pior.

  • Daniel Fábio Jacob Nogueira

    Meu caro “Agora é 45″,

    Aconteceu algum problema técnico. O comentário não apareceu por aqui. Nós não censuramos comentários com base em opiniões políticas. Por favor o repita que certamente será publicado

  • Agora é 45

    Obrigado pela atenção.
    Havia devolvido a resposta no sentido do voto em branco ou nulo ser inviável pois indiretamente beneficia a Dilma.
    O Sr Thirso ofendeu quem discorda se achando um grande pregador do nada a lugar nenhum.
    Quem vota branco ou nulo prejudica alguns dos bons candidatos e abre uma larga avenida para Vanessas, Bragas, Azizes, Dilmas ávidos por votos em todos os municipios do Amazonas e no Brasil onde não faltou propaganda, tampouco dinheiro.
    A “bipolaridade” citada pelo autor eu vejo como duas vertentes à saber: A primeira, os descontentes se candidatam arriscando um vexaminoso e pecaminoso placar de 500 votos que poderá chegar até mil para iniciantes.
    A segunda, simplesmente sair rosnando e dizendo que politico não faz nada, é ladrão e todos que lá estão não prestam.
    Ora!
    É muito dificil eleger-se.
    Vejamos a OAB com seus 7 mil e poucos inscritos;
    Com uma votação dessas em peso, 7 mil votos elegeriam o que? Meio vereador? meio Dep estadual?
    Talvez unidos com a classe médica e dos psicólogos chegassem a uns 20 mil votos para eleger umzinho candidato à dep Estadual.
    É essa a realidade das eleições, quem não tem chance não deve ficar pregando o voto nulo como se fossem todos os seguidores de uma “seita” de revoltados.
    Votem no menos pior afinal, ainda devemos acreditar em alguns poucos seres humanos.
    Abraço à todos e boa eleição.

  • Thirso Del Corso Neto

    Agora é 45,

    Sinto lhe informar, mas de forma alguma prego o voto nulo ou em branco, pelo contrário, quem vota em branco, quando dotado de certa consciência política, deixa na mão da massa, mal alfabetizada e iludida por pequenos favores, a decisão de quem governará o país e guiará todas as nossas vidas.
    O voto em branco, ao contrário do que mencionas, não beneficia nenhum político, ela apenas mantém a decisão dos que votam por obrigação, por convencimento ou por ideologia. Os que votam apenas por obrigação deveriam, sinceramente, votar nulo, assim, deixariam nas mãos dos que se acham capacitados o poder de decisão do voto.
    No meu comentário anterior critico não o seu lado político, até por que no Brasil não vejo diferença entre partidos de esquerda e de direita, mas, critico, a sua forma de divulgar e propagar sua ideia.
    Os que não têm capacidade política, “os descontentes que se candidatam”, deveriam se afastar das candidaturas. Para evitarmos que estes, que recebem os votos de seus familiares mais próximos, coloquem em cargos eletivos, devido ao coeficiente eleitoral, pessoas despreparadas que se utilizam da fome e miséria alheia para se eleger. Os que “saem rosnando dizendo que político não faz nada” e pregam o voto nulo. Busquem através de sítios sérios da internet, além dos sítios governamentais, as ações dos homens do legislativo e executivo, para poder bradar por ai, com fundamentos, os maus políticos. Se não encontrarem nenhum, pensem que votando nulo estão deixando na mão dos outros a escolha dos homens, em sentido lato, que comandarão sua vida por pelo menos 2 anos, já que parte deles sairá para se candidatar de novo nas próximas eleições.
    lembrança a todos do Blex e que domingo vença o menos pior para o Brasil e para o Amazonas.

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