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Fazemos qualquer negócio.

Na esteira de meu último post, relato uma outra situação que presenciei nos corredores da Justiça. Dessa vez não fui ator, só presenciei, mas na primeira fila.

A situação era a seguinte: estava aguardando o início de uma audiência conversando com um amigo quando um advogado aproximou-se e perguntou quem era o advogado da empresa x. Era meu amigo.

Não me afastei porque não sabia do que se tratava, então presenciei uma conversa mais ou menos assim:

- Doutor, o senhor tem uma proposta para meu cliente? Empresa grande, deve ter uma boa proposta.

-Temos, mas o preposto ainda não chegou e quem oferece a proposta é ele.

Com um sorriso nos lábios, o outro apressou-se.

- Doutor, veja lá, faça uma proposta, nós aceitamos qualquer negócio!

E com isso foi-se. Eu, perplexo pela franqueza daquele homem, me despedi do amigo. Fiquei com aquilo na cabeça e até hoje só consegui vislumbrar duas possibilidades para o absurdo que tinha presenciado. 1 – O cliente do advogado não tinha qualquer razão e ele sabia disso ou 2 – A situação do cliente está muito feia e qualquer coisa ajuda.

Já ouvi pessoas esclarecidas falando que gostariam de viver de indenizações. Já ouvi de um juiz (informalmente) que a indenização que tinha concedido seria para torrar no dia das crianças com os filhos…

Esse tipo de coisa me deixa bastante temeroso quanto ao futuro das Ações Judiciais, não por ser advogado de empresa, mas por uma série de outras questões que envolvem decisões judiciais e seu caráter social.

Bem, a respeito da historinha do início, o resultado eu não sei, mas espero que não tenha sido feito qualquer negócio, e sim prevalecido o bom senso e, principalmente, a justiça.


10 comments to Fazemos qualquer negócio.

  • Advogado Antigo

    Luis Felipe, vou comentar aqui, pois ninguem comentou e não quero que você fique triste, mas essas suas “estórias” todos conhecemos e são antigas no meio juridico, um abraço……

  • jornalista Fair Play

    MENINO NOVO, empolgado que só, e neófito no ramo. Mas desejo sucesso. Só não pode inventar estórias ou retuita-las! Gostou novo verbo Rettwitter? Portanto, vai devagar, mano, que devagar e sempre é que se chega lá.
    Juízo nesse cabeção.

  • Caroline

    Dr.Luis Felipe,

    sou estágiaria e já ouvi e também presenciei ”estórias” como a sua e também piores, e no final me falaram o seguinte: APRENDE, porque e quase sempre assim que funciona (e assim como vc, fiquei e fico preocupada).

    OBS: vc deveria escrever +.

  • Caroline

    Dr. Luis Felipe,

    Gostaria de saber a sua opinião sobre o art. 268 do CPC. Estou cursando o 4º período de direito e minha equipe ficou responsável pelos artigos 262 ao 269, e fiquei com o art. 268. Nos seminários que eu apresento tiro boas notas. Pesquisei em váris doutrinas e fiquei com a do Marcos Vinícios Rios Gonçalves. Apresentei e foi rápido, até porque o artigo é fácil, no final o professor me deu a seguinte nota 7,5 e disse: sua nota é essa por causa da simplicidade do artigo.

  • Marcelo Augusto

    Os advogados novos de hoje serão os antigos de amanhã, aliás, como acontece desde sempre. Os advogados novos, como sempre, sendo injustamente menosprezados.

    Continue postando as suas experiências e não se deixe abater com as críticas.

  • Daniel Fábio Jacob Nogueira

    Luis,

    O que as pessoas não entendem é que essa cultura reprovável continua se repetindo de geração em geração. Assim, cada nova leva de advogados éticos continua se espantando. O problema não é contigo – que está certo de se assustar com isso – mas sim com essa cultura espúria que continua se propagando.

    Forte abraço.

  • Saulo Michiles

    Grande Luis Felipe,

    Parabéns pelos artigos. Em breve estarei entrando na mesma carreira e também me assusto com certas coisas. Mas o que mais me assusta é a justificativa que as pessoas dão para perpetuar condutas espúrias e risíveis: “sempre foi assim”. Sempre foi assim não quer dizer que é correto, sempre foi assim quer dizer que, quem está ali desde sempre e pactua com o errado, está errado desde sempre.

  • Eduardo Bonates

    Nobre amigo,

    Seria cômico se não fosse trágico! O que está acima escrito é a mais pura verdade, ocorre com frequência e deixa claro que dentro da nossa própria classe também existe o que há de pior no Direito!

    Destaca-se que de certo são estes advogados que ficam com o dinheiro dos alvarás, que não prestam contas, etc.

    Abraços,

    Eduardo

  • Grande problema será quando perdermos a capacidade de indignação, que alguns incautos chamam de amadurecimento profissional…
    Parabens Luis Felipe

  • Mariposa

    O que tenho a dizer??Esses sao os vicios culturais da classe de advogados do nosso Estado, que precisam ser banidos!O que posso dizer a vc como jovem que é, nao seja um profissional mediocre, faca a diferenca!Olhe para as pessoas q acrescentam algo, na sua vida profissional e pessoal, e o resto e o resto!Muitos sao os chamados e poucos os escolhidos!

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