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A Política (?) Externa do Brasil

Caros leitores,

Todos temos acompanhado o desenrolar das duas últimas novidades do país em termos de política externa: 1) O presidente de Honduras “hospedado” na Embaixada brasileira em Tegucigalpa (um nome bastante sonoro, não?), e 2) a escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016.

Até poucos minutos atrás, minha intenção era fazer uma crítica à incoerente e aloprada política externa brasileira, mas tomando como base os dois incidentes acima indicados, fui obrigado a reduzir a acidez dos comentários.

Em primeiro lugar, acredito que falta um posicionamento uniforme do país em relação à sua imagem perante o mundo, pois ora afaga e ora…bem, afaga menos, não chegou nunca a estapear.

No âmbito da América latina, o Brasil assumiu um tom paternalista. Enviou tropas ao Haiti para garantir a paz na devastada ilha. Aceitou caladinho que a Argentina erguesse barreiras comerciais contra os produtos brasileiros, como os eletrodomésticos, entre outros.

Quando o presidente da Bolívia assumiu o poder, de imediato nacionalizou as refinarias de gás natural, inclusive as que a Petrobrás detinha concessão de exploração. O governo brasileiro não só deixou que o exército boliviano invadisse as propriedades privadas da empresa como ainda “vendeu” de volta todas as refinarias por um preço absurdamente baixo.

Em relação ao Paraguai, assim que o novo presidente daquele país assumiu o poder, tratou de exigir que o Brasil reajustasse o valor pago pelo excedente da energia gerada Pela usina de Itaipu – construída com dinheiro brasileiro, ignorando tratados existentes desde 1973.

O presidente do Equador também tirou sua casquinha. Naquele país a construtora Odebrecht foi enxotada do país sem direito a levar seus bens, e o que é pior, vendo quatro de seus diretores serem impedidos de vir junto.

O Brasil vem levando várias mordidas de seus vizinhos, e vem aceitando tudo em silêncio, como se o país fosse podre de rico e sem quaisquer mazelas.

Em relação ao resto do mundo, o Brasil foi ignorado na Rodada Doha, não consegue derrubar barreiras comerciais contra seus produtos nos EUA, Canadá e outros países, vê seus cidadãos serem encaixotados e mandados de volta por países europeus sem a menor explicação e tudo isso caladinho…

O governo brasileiro é amigo de Obama, de Bush, de Chavez, de Ahmadinejad, de Juan Carlos e amicíssimo de Sarkozy, ou seja, agrada gregos e troianos, oferece tudo e não recebe nada, só a amizade de todos os povos do mundo (menos dos agentes alfandegários e de fronteiras).

Peraí…não recebe nada não…esse mesmo Brasil que vai levando caladinho acabou de conseguir a tríplice coroa do esporte mundial.

Sede do Pan 2007, sede da Copa de 2014 e sede das Olimpíadas de 2016!

Meus caros, é esse o motivo pelo qual eu desisti de uma ácida crítica à inócua política externa brasileira. Sim, pois enquanto o Brasil vai tomando várias porradas caladinho, vai levando, também, o Pan, a Copa e as Olimpíadas com muito estardalhaço!

Viva a República das Bananas!!


3 comments to A Política (?) Externa do Brasil

  • Fábio Lindoso e Lima

    Luis,

    Bem colocado.

    Em complemento, diria que o nosso Presidente é como uma pomada: apenas para uso externo!

  • O ACREANO

    A MÁXIMA DIZ: “QUEM CALA CONSENTE.” ESSA SEMANA UM GRUPO DE VAGABUNDOS, LADRÕES E DESORDEIROS CRIADOS PELO PT (PARTIDO DOS TRABALHADORES), MST, INVADIU UMA PLANTAÇÃO DE LARANJA E FEZ O QUE TODO NÓS SABEMOS.ELES ESTÃO LÁ, É UM CASO DE POLÍCIA, MAS COMO É CRIA DO PT NINGUÉM FEZ NADA. SÓ ESPERO QUE NEM UM PAÍS COMO BOLÍVIA QUEIRA INVADIR O BRASIL, SE ISSO ACONTECER O LULA VAI FICAR SÓ OLHANDO.

  • Ney Bastos

    Caro Luis,

    Concordo em parte com suas ponderações, todos sabem minha visão crítica a forma de fazer política em nosso país, inclusive já externei meu descontentamento no blex. Contudo, no que concerne a política externa brasileira, em especial, na América Latina acredito que sua visão é nacionalista demais, pois as revisões de acordos com a Bolívia, Paraguai e Equador, embora realizadas de forma estremada, ao meu ver apenas reequilibraram contratos que eram absurdamemnte favoráveis ao Brasil.
    Certamente não será através da exploração de nossos vizinhos que consiguiremos maior desenvolviemnto do país, pois o Brasil não conseguirá crescer de forma apartada.

    A necessidade do crescimento da América latina e mais especificamente de nossos vizinhos, sulamericanos,está diretamente ligada ao nosso prórprio crescimento, sem contar que enfrequece sobremaneira nosso argumento frente as grandes potencias, quando nós mesmos nos aproveitamos de nosso maior poderio econômico.

    Certamente não somos podre de rico, mas somos sem dúvida o primo rico desta região do globo e da mesma forma que não queremos ser explorados pelas potencias, não podemos querer explorar os menos abastardos que nós.

    Por fim, creio que vc esqueceu daquele que parece ser o maior absurdod e nossa política externa, que é o fato de nosso presidente aplaudir os absurdos perpetrados na Venezuela, que anda na contramão da democracia, perseguindo seus opositores, violando a liberdade de imprensa, buscando a perpetuação no poder etc.

    Isso sim me envergonha.

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